Robótica no Contexto Educacional

Quando ouve falar em robótica, você pensa apenas em fábricas e robôs humanoides ou filmes de ficção? Não se preocupe, já pensei assim também. Mas descobri, e quero compartilhar, que robótica é muito mais que isso para o ambiente educacional.

Tudo muda muito rápido

Vivemos uma era singular em todos os campos, e tanto a educação como a preparação de habilidades úteis para o futuro não passaram imunes. Tudo muda mais rapidamente do que os currículos ou formação dos profissionais da docência conseguem acompanhar. Muito se tem pensado, pesquisado e criado para tentar dar resposta a esse contexto, mas o currículo rico da robótica é o que eu gostaria de tratar aqui.

O aprender fazendo nunca foi algo tão necessário (não há tempo para estudar quantidades grandes de teoria para depois de um tempo ir verificar como aplicar), pois quando se termina de estudar um assunto ele já pode estar obsoleto. Logo, é melhor aprender enquanto executa o que se é esperado.

Diga-se de passagem que era assim nas décadas passadas, e ainda hoje vários grupos de pessoas e setores valorizam muito quem tem experiência real com determinados assuntos (aprendeu fazendo). Por algum motivo, por mim desconhecido, isso foi se perdendo no tempo com a ascensão de teorias de aplicação cada vez mais demoradas (e distantes da realidade cognitiva do cérebro humano).

Exemplos do aprender fazendo deram as diversas profissões base, como marcenaria, sapataria, artes, construções, etc..

De algum modo o distanciamento das famílias permitiu também o distanciamento do aprendizado familiar e comunitário de ofícios e habilidades importantes ao desenvolvimento pessoal de nossos jovens.

Onde entra a Robótica?

Mas voltando ao tema da robótica educacional. Na realidade este é um título que envolve um currículo amplo de um mesmo tema: tecnologias. Assim como as tecnologias como os livros impressos, rádio e televisão foram cruciais para disseminação de conhecimento e pensares diversos, as tecnologias continuam a avançar. Mas ao invés de fazermos uso delas, somos na maioria das vezes consumidos por elas.

Hoje temos acesso facilitado a uma gama enorme de placas, componentes, sistemas computadorizados e recursos similares que formam uma matéria prima rica que, se usada como os antigos artesãos (ou hoje gourmetizados com o termo makers), pode dar origem a diversos tipo de respostas a perguntas e situações do cotidiano (preparando esses criadores para situações diversas da vida).

Proliferam-se estudos sobre termos como ensino híbrido, mão na massa, metodologias ativas, aprendizagem criativa, aprendizagem emocional, etc.. Dentro das práticas de projetos de robótica educacional tem-se oportunidade de viver tudo isso e muito mais.

Mas não se iluda, o potencial está em saber usar ou desenvolver uma metodologia e não nas ferramentas usadas no processo.

No gráfico ilustrado abaixo, faço um resumo bem básico do que aprendi ao longo da minha aventura pela robótica educacional.

Folder Divulgação: “Alguns Benefícios da Robótica” – Fonte: Aplicar

Está gostando desse artigo? Fique à vontade para comentar e também compartilhar.

Sobre os potenciais levantados

  • Logica: ao usar recursos de linguagem de programação, por exemplo, o estudante tem seu lado esquerdo do cérebro estimulado, área onde lógica, raciocínio analítico e crítico são desenvolvidos. Ter que trabalhar com a correta combinação de códigos específicos, além de outras tarefas, contribui em muito para esse desenvolvimento.
  • Organização: o estudante percebe rapidamente que se não planejar as tarefas, atividades, passos para atingir os resultados esperados, terá muita dificuldade para concretizar seus objetivos, sem contar prejuízos de tempo e recursos. Cada vez mais o empirismo desleixado (ou ‘chute aleatório’) vai perdendo espaço.
  • Escrita: ao começar a precisar organizar melhor suas ideias, tanto para apresentar quanto para executar as tarefas, além da constante necessidade de precisar registrar (documentar) ou apresentar seus projetos, gera habilidades de escrita mesmo em temas relacionados à áreas ditas de humanas. A capacidade de síntese, crítica e coerência pode ser muito bem trabalhada em textos de diversos temas.
  • Exatas e Línguas Estrangeiras: a matemática, a química e a física estão de mãos dadas com a tecnologia dita digital e eletrônica, é praticamente impossível dissociar qualquer atividade deste tipo desses conceitos base. E é sabido que a linguagem dos inventos modernos é por padrão o inglês (mesmo que tenha sido escrito ou desenvolvido na Índia, Paquistão ou França, por exemplo). Não saber um idioma diferente do materno é um enorme prejuízo para crescimento acadêmico, pessoal e profissional de uma pessoa. A robótica educacional praticamente obriga a estudar e desenvolver habilidades mínimas nas linguagens.
  • Pessoal e Profissional: os participantes experimentam descobrir potenciais desconhecidos até então. São desafiados, podendo se tornar engajados e entusiasmados em busca de novos desafios. Podem se tornar proativos e diferenciados.
  • Criatividade: não é no decorar simplesmente que se torna uma pessoa inteligente (máquinas fazem isso muito melhor). A verdadeira inteligência humana vem se descobrindo na habilidade de ser criativo e de obter valores sociais básicos essenciais. Esse é o tipo de coisa que pode até vir por legado ou herança, mas na maioria das vezes apenas existe porque foi desenvolvido com muita prática. Uma solução óbvia nem sempre pode ser a melhor, e contornar problemas sem os recursos ideais é recorrente em nossa vida. A possibilidade de trabalhar em equipes e formar ideias coletivas também contribui muito para isso.
  • Resolver Problemas: o aprendizado de programação e robótica é a capacidade de solucionar problemas. O estudante vai precisar analisar, descobrir, planejar, criar e executar suas soluções. Isso se torna um padrão para qualquer coisa na vida.

Finalizando

Uma abordagem corretamente conduzida de robótica educacional pode propiciar o ganho de diversas habilidades aos estudantes.

A robótica educacional deve ser vista apenas como um meio com objetivos maiores. Se seu material custou dezenas ou milhares de reais não importará tanto se não soubermos aplicar os métodos e não tivermos os objetivos corretos diante de nós.

É com intuito de divulgar informações e ajudar quem desejar entrar nesse processo que o projeto Aplicar Ciências e Robótica foi criado. Convidamos você a fazer parte disso deixando suas questões e contribuições.

Pense nisso: um processo ruim quando informatizado apenas continua sendo um processo ruim, só que agora é computadorizado.

 


Gerson Sena

Engenheiro eletricista, especialista em metodologias do ensino de física e matemática, técnico em eletrônica e automação industrial, escotista (na reserva).

1 comentário

Gerson Sena · 22 de dezembro de 2019 às 15:07

Pessoal, deixem seus comentários e questionamentos para sabermos como produzir conteúdos relevantes para vocês aqui no blog.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.