Em tempos de COVID19 temos muito o que refletir, mas comecemos pelas aulas e o método tradicional.

A situação que vivemos novamente escancara que temos problemas recorrentes na sociedade, especialmente no quesito educação. Nossa proposta otimista nesse momento é que ao menos encaremos velhos fantasmas com uma visão mais criativa e participativa por mudanças tão necessárias.

O fato é que não existe métodos perfeitos nem soluções mágicas que nivelem por cima tanto docentes como educandos.

O que sabemos haver são diversos recursos, alguns até bem democráticos e acessíveis, e muitas práticas já sendo testadas, que poderiam mitigar muito as diferenças. Mas que paradoxalmente alguns lutam contra, numa clara falta de visão ou percepção de futuro.

Situações problema na educação não são novidade, especialmente na área pública.

É de conhecimento de pais, alunos e professores as greves, calamidades, situações climáticas, momentos de aumento ou surtos de violência. Países, como Estados Unidos já lidam com isso por conta de tempestades, furacões e neve. E neste momento vivemos uma pandemia.

O curioso é que parece servos avessos à prevenção ou planos de contingência. Parece preferirmos sempre agir só depois do problema, e nunca prevendo-o.

Também é minoritária e praticamente nada integrada as ações mitigantes. Em geral solitárias e muitas vezes precárias. Nos perguntamos quando é que iremos assumir que mudanças devem ocorrer? E que seria mais um momento de deixar de lado ideias pré-formadas — alguns julgam e atacam recursos sem sequer saber do que se trata, ou menos ainda, ter testado.

A verdade é que há ferramentas e soluções o que falta é reconhecê-las com fé pública (validadas por Lei).

Que a educação tem problemas, isso não parece ser ignorado pela maioria. Você já deve ter escutado as seguintes frases:

  • “A educação está atrasada, não evolui com as necessidades.”
  • “Os governos não apoiam a educação.”
  • “A educação dos ricos é privilegiada.”

Não entrando no mérito de nenhuma das afirmações, a pergunta que deveria ficar para nós seria algo como: “Não existe algo que não estamos vendo enquanto o mundo não fica perfeito?”.

Mas é neste ponto que se pede uma reflexão. Pois percebemos certa resistência cultural a fazer o que é preciso —agradando assim, sem perceber, interesses de quem não se importa com a educação de nossos filhos.

Alguém já pensou, ouviu ou leu algo parecido com as ideias a seguir?

  • “Querem transformar a educação em um negócio.”
  • “Já recebemos pouco para ter ainda que preparar material extra fora de sala.”
  • “Professor não deveria mandar estudos para casa. Lugar de estudar é na escola.”
  • “Onde vou deixar meu filho, tenho que trabalhar?”.
  • “Ninguém aprende sozinho, assistindo vídeos.”
  • “Estudo à distância ou em casa é enganação. Querem é não ter trabalho.”
  • “Quem ensina é o professor”.
  • “Não tenho recursos para aplicar certos métodos. O governo que deveria provê-los.”

O que parecem ignorar é que a educação não evolui e que ricos possuem acesso à uma educação melhorada justamente por pensamentos assim. Aquilo que acreditamos, praticamos. E poucos parecem perceber que esperar de governos nunca resolveu muita coisa. De governos não se espera, se propõe e se cobra.

Deveríamos ter mudanças em nossa base legal, mas enquanto isso não ocorre, todo louvor aos que fazem seu melhor.

É uma mudança difícil de realizar, e podem haver interesses contrários à essas mudanças. Embora no discurso pareça, muitas entidades e órgãos não estão de fato interessados nos alunos ou na qualidade de vida escolar. Na verdade eles sabem que problemas se resolveriam se houvesse uma participação melhor da comunidade na escola. Mas pra que resolver se podemos criar problemas e nos manter no poder vendendo soluções?

Muitas partes da legislação para educação não favorecem mudanças necessárias. Vamos citar um exemplo: não importa quão boa ou melhor você desenvolva uma aula ou avaliação remota, não vale como horas de aula dada.

Mesmo em momento de pandemia há expectativa de que estas aulas online e diversas outras atividades não serão validadas tem haver por força da Lei (LDB, artigos 23 e 24), que dita ter-se que cumprir x horas e y dias.

Pensemos um pouco, professores e pais.

  • Se essas lições fossem bem orquestradas, profissionalizadas, validadas legalmente, quem sairia perdendo?
  • Alguém aqui lembra dos calendários emendados, das lições e aulas intermináveis e períodos de férias, dos profissionais exaustos em locais nada confortáveis?
  • Alguém notou uma melhoria na qualidade do aprendizado dos alunos ou filhos nesse tipo de recuperação?

    Felizmente, nem tudo é perdido enquanto achamos verdadeiros amantes do ofício chamado educação.

    Mesmo sem sincronia, treinamento ou recursos, há professores mantendo contato e mandando lições aos seus alunos.

    Mesmo com dificuldades (mudanças de hábitos familiares, conteúdos e tecnologia que não faziam parte de nossa época) pais estão retornando a acompanhar a vida escolar dos filhos.

    São pessoas que tem desculpas, mas preferem não usá-las. E isso nos enche de orgulho.

    Mudanças só ocorrem quando são desejadas, buscadas, pedidas, escolhidas. Lutar contra certos métodos, tecnologias ou ações baseados em preconceitos só nos cega às possibilidades futuras e municia quem não tem interesse no futuro de nossos filhos.

    O melhor de dois mundos.

    Quem ataca os métodos e tecnologias de ensino à distância ou que devolvem ao aluno responsabilidade e protagonismo pelo seu próprio aprendizado o faz por desconhecer o que se tem comprovado na atualidade.

    Ninguém em sã consciência defende a extinção do que hoje chamamos escola. Na verdade, quem estudou minimamente a história da educação verá que a escola como conhecemos evoluiu por um bom tempo, até parar na passada era da revolução industrial (e nunca mais acelerar mudanças rumo às necessidades da sociedade e indivíduos).

    Ensino à distância e presencial tem papéis distintos. Ambos juntos seriam hoje a melhor opção de ensino disponível. Com isso em mente algumas coisas deveriam estar claras, entre elas:

    • Vantagens do ensino à distância: aprofundar a teoria, carga maior e melhor de exercícios, repetição sempre que necessária, recuperação de aprendizado e notas, nivelamento; o aluno estudando.
    • Vantagens do presencial: convivência, socialização e troca de experiências; prática de conhecimentos, avaliações, tirar dúvidas; melhoria no reforço, apoio e acompanhamento.

    Analisemos possíveis resultados:

    1. quantos dias letivos recuperados?
    2. quantos atestados a menos?
    3. quantos nivelamentos possíveis?
    4. quantos alunos sendo levados ao seu pleno potencial individual?
    5. das possibilidades de acompanhamento individual real.

    Para o professor, será que percebemos a qualidade de vida e carreira que poderia ser possível?

    Para pais e alunos, será que percebemos o impacto positivo na preparação para um mundo já modernizado?

    Procurando inspiração para ajudar nesse momento?

    Para finalizar, deixamos vocês diante de vocês uma coletânea de materiais publicados ainda no início desta crise. Talvez estes artigos publicados no Porvir te inspirem de alguma forma.

    Educação em tempos de Coronavírus

    Sistemas de gestão de aprendizagem oferecem kits com ferramentas para apoiar instituições de ensino que estão se preparando para oferecer aulas a distância.

    Plataformas liberam recursos para escolas fechadas durante pandemia do coronavírus

    por Marina Lopes ilustração – 18 de março de 2020.

    O que você deve considerar na hora de estruturar aulas online e à distância para educação básica.

    Educação em tempo de coronavírus: 10 passos para montar o plano de contingência

    por Ana Paula Gaspar ilustração – 16 de março de 2020

    Das relações humanas ao mundo virtual, reunimos ideias para professores discutirem os impactos da pandemia COVID-19.

    Como é possível discutir o coronavírus por diferentes ângulos na escola

    por Vinícius de Oliveira ilustração relógio 13 de março de 2020

    FONTE: Porvir


    Gerson Sena

    Engenheiro eletricista, especialista em metodologias do ensino de física e matemática, técnico em eletrônica e automação industrial, escotista (na reserva).

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