Carros elétricos versus convencionais

Como funciona o carro elétrico?

Existem diferentes modelos de carros elétricos – todos têm em comum, claro, um motor movido a eletricidade. Mas a eletricidade pode vir de diferentes fontes: de baterias, da queima de combustíveis tradicionais, como a gasolina, ou da reação química do gás hidrogênio.

carro híbrido elétrico

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Dos modelos já testados até agora, o carro elétrico movido a hidrogênio é o mais viável. Além de ter emissão de poluentes zerada, ele já tem uma performance compatível com a dos carros tradicionais. Sim, o modelo não é mais ficção científica.

Existem cerca de 100 protótipos de carros e 80 de ônibus com essa tecnologia em universidades e centros de pesquisa pelo mundo, muitos deles em testes.

Fonte: Super Interessante

Até onde são Ecológicos e Sustentáveis?

Os veículos “verdes” começaram a ser produzidos em 1997 no Japão e podem ser de dois tipos: movidos exclusivamente por eletricidade ou por sistemas híbridos, que misturam combustíveis tradicionais e eletricidade.

recarga carro elétrico energia verde

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Quase todos os modelos de automóveis elétricos à venda são híbridos, já que esse tipo de sistema tem preço e tecnologias acessíveis, ao mesmo tempo em que permite uma economia de combustível de até 50%.

O sucesso desses modelos é tanto que no mês de janeiro de 2009, o híbrido Honda Insight foi o carro mais vendido do Japão.

Os veículos híbridos funcionam com um motor de combustão convencional, alimentado por gasolina, mas que não serve para movimentar o veículo, apenas para carregar a bateria elétrica. Essa bateria também pode ser carregada de duas formas, sendo ligada diretamente na tomada ou se aproveitando da chamada frenagem regenerativa. Esse sistema entra em ação quando o veículo é freado, transformando a energia cinética em eletricidade, que vai direto para a bateria.

Uma das principais vantagens dos automóveis elétricos é a redução da emissão de gás carbônico, um dos responsáveis pelo aquecimento global. É o que explica José Roberto Augusto de Campos, coordenador da Divisão de Motores e Veículos do Instituto Mauá de Tecnologia. “Os carros tradicionais emitem CO2, gás que não é tóxico mas provoca o efeito estufa. Já um veículo unicamente elétrico não polui”.

Outro ponto positivo é que há menos desperdício de energia. “Um motor de combustão é muito pouco eficiente, apenas 30% do combustível é realmente utilizado, o resto é jogado fora em forma de calor. Já em carro elétrico aproveita de 90 a 95% da energia”, afirma Egomar Locatelli, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Caxias do Sul.

Mas é claro que o carro elétrico não é só vantagens. Uma das primeiras barreiras para que ele se torne acessível a toda a população é o preço.

Apesar do carro híbrido mais barato dos Estados Unidos custar 20 mil dólares, um automóvel inteiramente elétrico ainda é muito caro. “Para ter autonomia, um carro precisa de uma bateria muito eficiente. Atualmente, a melhor opção é a de íons de lítio, só que ela é muito cara”, diz José Roberto Campos.

Além disso, o lítio não é um bem renovável e não existem grandes reservas do mineral, que pode ser esgotar em pouco tempo. Ou seja, para que se produzissem carros 100% elétricos em larga escala seria necessário encontrar uma alternativa a esse tipo de bateria.

Outro problema é a de geração de energia. Para que toda a frota de carros convencionais fosse trocada por automóveis elétricos, seria necessário produzir muito mais energia do que está disponível hoje. E para que a troca seja positiva para o meio ambiente, é necessário que essa energia seja de alguma fonte limpa. “Não compensa construir mais termoelétricas para suprir a demanda dos carros, já que esse tipo de usina produz muito CO2.

Outra opção seria a energia atômica, que não tem problema de emissão de gases, mas produz lixo atômico.

Já as hidrelétricas também não têm emissões de CO2, mas nos primeiros anos produzem metano, que é pior do que o gás carbônico. O interessante é que a energia seja eólica ou de placas solares”, afirma José Roberto.

Fonte: Nova Escola

Mitos e Verdade

1) Carros elétricos não têm boa autonomia ou alcance
Em geral, ouve-se que quando a temperatura cai, não se vai muito longe no modo elétrico. Embora esse possa ter sido o caso dos carros elétricos antigos, isso não se aplica mais.

As baterias atuais estão muito avançadas e o pré-condicionamento do veículo via aplicativo agora é padrão, bem como os sistemas inteligentes de gerenciamento de calor. Isso possibilita otimizar de forma significativa a autonomia do dia a dia – mesmo ao usar sistemas que consomem muita energia (como o ar condicionado e os aquecedores de bancos).

autonomia de carga e produção de energia carro elétrico

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Por fim, a autonomia dos carros elétricos ainda depende do comportamento do motorista.

2) Demora muito tempo para carregar um carro elétrico
O veículo eletrificado evita a interrupção da mobilidade, pois é carregado em momentos oportunos: à noite ou quando o cliente vai ao shopping, cinema, etc.

Mesmo quando conectado a uma tomada doméstica, na qual a recarga possa levar uma noite inteira, o proprietário do veículo elétrico sempre terá a sensação de “tanque cheio”.  Os pontos de recarga em locais públicos são cada vez mais comuns.

Além disso, diversos modelos contam com estações de carga rápida que garantem em pouco tempo autonomia suficiente para um dia de rodagem urbana.

 

3) Há pessoas sendo exploradas para produzir baterias de carros elétricos
São necessárias matérias-primas para a produção de células de bateria em algumas regiões do mundo. A maioria das montadoras conta com selos qualidade internacionais que não permitem a compra de matéria-prima de origem não certificada.

A BMW é uma delas e firmou contratos com fornecedores de matérias-primas que garantem uma produção sustentável e justa.

 

 4) As baterias dos carros elétricos são seu calcanhar de Aquiles
Na verdade, nos modelos elétricos, as baterias atuam como o coração do conjunto, como explica Henrique Miranda, chefe da linha de veículos elétricos da BMW do Brasil. “É a bateria que permite a mobilidade sem emissões ou ruídos, a recarga em casa, a simplificação dos sistemas motores e a redução nos custos de propriedade”, afirma.

5) Elétricos não são melhores para o meio ambiente do que os a combustão
São muito melhores, especialmente em países com alto índice de fontes renováveis na geração de energia, como é o caso do Brasil. Mas, mesmo que a eletricidade produzida convencionalmente seja levada em consideração para o cálculo e o ônus da produção seja incluído, os carros elétricos ainda estarão à frente.

 

6) Carros elétricos são mais caros que veículos com motor à combustão
O custo do carro elétrico para o cliente já é menor, se considerados todos os custos envolvidos na mobilidade, como manutenção, custo da energia, impostos e seguros.

Quanto mais utilizado, mais rápido haverá retorno do investimento. No caso do BMW i3, por exemplo, contra outros SUVs do segmento premium, com apenas 6 mil quilômetros rodados, ou seja, em menos de 1 ano, o custo acumulado já é menor.

O Brasil possui excelentes condições para o proprietário do carro elétrico. IPVA reduzido ou zerado em diversos Estados, custo de energia competitivo e infraestrutura de recarga totalmente gratuita, além de isenção de rodízio em São Paulo.

 

7) Carros elétricos dão choque
Cada vez que uma nova tecnologia é desenvolvida, as pessoas a enxergam com ceticismo. “Posso confiar nisso?” As baterias dos veículos são testadas para inundações uma a uma antes de equiparem os veículos.

No caso de um acidente, por exemplo, o fluxo de corrente da bateria é imediatamente desligado, para que não haja risco de choque elétrico aos ocupantes ou prestadores de serviços de emergência.

 

8) Precisaremos de uma nova Itaipu por causa do carro elétrico
Um dos mitos mais persistentes é que as redes de energia atuais não são capazes de fornecer eletricidade a todos os veículos elétricos da frota. Na realidade, a demanda de energia é diferente ao longo do dia, atingindo o pico entre 18h e 20h.

Em países como o Brasil, que faz uso abundante da energia renovável, há uma grande oportunidade de balancear a curva de demanda. Com os carros elétricos, a energia pode ser transferida de volta para a rede para atender a demanda do horário de pico.

Além de melhor utilizar a geração atual, cria-se uma oportunidade de receita para o proprietário do carro elétrico.

 

9) Carros elétricos são apenas uma solução paliativa
Parece inevitável que a era dos carros com motor à combustão termine no futuro, não apenas pela natureza finita dos recursos petrolíferos. No momento, não é possível prever se os carros elétricos e híbridos plug-in vão dominar o mercado.

O certo é que a experiência ao volante, os custos cada vez menores e as mudanças fundamentais na mobilidade farão com que os veículos totalmente elétricos desempenhem um papel importante no futuro.

 

10) Carros elétricos não são divertidos ao dirigir
É divertido dirigir um carro elétrico, sim! Não há nada como embarcar em um deslizamento suave e silencioso. Rodas grandes, centro de gravidade baixo, torque imediato e regeneração automática de energia são a fórmula perfeita para muita diversão!

Fonte: MotorShow


Gerson Sena

Engenheiro eletricista, especialista em metodologias do ensino de física e matemática, técnico em eletrônica e automação industrial, escotista (na reserva).

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